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Ecos Antigos do Pago
Por João Luis de Almeida
Ecos Antigos do Pago
Nos confins onde o vento assobia feito alma penada e a coxilha se deita mansa sob o céu sem dono, vai ficando um rastro antigo, desses que o tempo não apaga. É marca cravada no lombo da terra, guardada no silêncio fundo dos dias e das noites.
Há um jeito de ser que não se aprende em livro nem se escreve em papel. Se colhe no relento, mateando com o destino, na fala curta e no olhar firme de quem carrega o respeito pelas coisas antigas. É como raiz que se agarra no barro mais fino, resistindo ao tempo e às intempéries.
Esse espírito anda solto pelos campos, feito lembrança viva de um passado bravo. Sopra entre o canto do quero-quero e o murmúrio das sangas, vive na memória dos fogos de de chão que clareiam o pago e nas histórias que o vento espalha pelas invernadas e coxilhas.
Carrega no peito uma força quieta, dessas que não precisa de alarde. Nos gestos simples, guarda saberes antigos, nos dedos traz o segredo das curas que o mato oferece. É presença firme, sustentando o mundo mesmo quando a esperança parece se encolher.
Se revela no trote manso de um pingo que conhece o caminho, no uivo distante que rasga a noite fria do rincão, na guitarra chorosa que embala destinos e no silêncio profundo que mora dentro de cada vivente.
E assim segue, campeiro e sereno, sem pressa nem necessidade de se mostrar. Misturado ao tempo, ao campo e à imensidão, como brasa que dorme sob a cinza, mas nunca se apaga de verdade.
Porque há coisas que permanecem.
E vivem, mesmo quando o mundo esquece de olhar.
...Ecos antigos do pago
Sonando campo adentro
Sendo mangueados
Despacito pelo vento
E o tempo, a o tempo
Se encarrega de pintar
As imagens lindas
Para nos abrilhantar...
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